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Chicago, United States

domingo, 3 de abril de 2011

JudEU



Eu sabia que seria tudo sem côr...


Parecia gradativamente Sobibor.


...fugindo loucamente entre as cercas


cortei gravemente o meu furor.


Logo à frente estava a liberdade


de um povo sofredor da tortura por amor.


Houveram tiros que deixei para tráz,


assim como o sangue que caiu entre as flores


na corrida entristecida dos terrores.


Um sequaz achava tudo festa


sob um ódio de preconceito capataz.


Tantos irmãos amontoados sobre cinzas...


tais cinzas sobre nós pura neblina:


-Aleluia... a suástica sobre mim não manda mais.



Exagero Existencial




Não venho me limitar,


só quero me descrever.


Sou o pequeno e o grande;


sou o enfermo e o são.


Poderia ser palhaço...


sou apenas engraçado;


queria ser poeta,


mas a vida não deixou.


Sou um feto esquecido,


um homem decidido;


minha maior paixão


é uma doce ilusão.


Meus momentos reais


sempre são muito iguais.


Sou o mistério calado...


o dos olhos molhados


no escuro do quarto!


Tenho o riso perdido


e o amor ressecado.


Não sou tão querido,


mas sou muito amado.


Sou o vento da casa,


a poeira no ar...


sou o marruá enclausurado,


e não me deixo levar...



Queria poder voar;


queria poder sonhar...


Tendo sonhos frustrados,


queria poder planejar!


Será que posso?


Pois sou a estática mental,


o estático olhar...


sou O ser surreal,


um exagero existencial.



sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Opira dî Pupi





Viver distante de si mesmo


é viver morto de vida,


é desconhecer suas próprias feridas


e o prazer de se ver feliz.


É viver distante da alma,


distante de paz e de calma,


com medo de ser infeliz.


É amanhecer tristonho


e a si mesmo não dar bom dia,


e no dia-a-dia não sorrir.


É estar altaneiro consigo,


dividido entre o sim e o não,


é se encher de perguntas,


e de respostas que não se dão.


Ser ou não ser?


Ter ou não ter?


Amar ou não amar?


Agradar ou não agradar?


Eis as questões que


nos fazem viver em utopias,


em confusões confusas


e em respostas ainda não absolutas.


E assim não se consegue ter o não tido,


amar o não amado e agradar o não agradado


tornando-nos como marionetes sicilianas


no palco do mundo


e no palco da nossa própria vida.